sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Código Florestal e o Brasil:

O que o Greenpeace pensa sobre a reforma do Código Florestal em curso no Congresso e como ela pode ser aprimorada.

   O Código Florestal, publicado originalmente em 1934, sofreu modificações ao longo dos anos, mas sempre manteve como ponto central a proteção do patrimônio ambiental brasileiro. 
   Esse patrimônio é bem mais que um monte de árvores e bichos. Nossa biodiversidade cumpre uma função econômica relevante. É ela que em última análise garante a abundância da água e a riqueza dos nossos solos, responsáveis por transformar o Brasil em um dos maiores produtores mundiais de alimentos. Destruir as florestas é, portanto, colocar em risco a economia. 
   O texto em discussão no Congresso atualmente abre brechas na legislação aumentar o desmatamento, prejudicando nossas perpectivas futuras de prosperidade. O Brasil não precisa desmatar para produzir mais; tem condições econômicas e tecnológicas para alimentar os brasileiros – e o mundo – preservando também seu maior bem para as futuras gerações: a natureza. Agora é a hora de transformar o cenário em realidade. O Brasil tem tudo para ensinar aos outros países como se desenvolver sem destruir as florestas.
   O Greenpeace acompanha os ataques ruralistas ao Código Florestal há anos. É natural que as leis sejam revistas de tempos em tempos, mas não de maneira torta. Uma lei não pode se adaptar aos interesses de um único grupo, nem anistiar de forma irresponsável crimes do passado: a anistia é a premiação do crime – e a indicação que o desrespeito vale a pena no Brasil. 
   Com o conhecimento acumulado em uma década de atuação na Amazônia e em campanhas que envolvem o agronegócio brasileiro, propomos cinco pontos a serem contemplados no texto em discussão: 
  • Manutenção dos atuais índices de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente, mas permitindo e apoiando o uso agroflorestal dessas áreas pelo agricultor familiar;
  • Obrigação da recuperação de todo o passivo ambiental presente nas Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, não aceitando a anistia aos desmatadores, mas apoiando economicamente aqueles que adquiriram áreas com passivos para que recuperem essas áreas;
  • Desmatamento Zero em todos os biomas brasileiros, com exceção dos casos de interesse social e utilidade pública, consolidando a atual tendência na Amazônia e bloqueando a destruição que avança a passos largos no Cerrado e na Caatinga;
  • Tratamento diferenciado para a agricultura familiar (segundo a lei 11.326/2006), incluindo os agricultores da Amazônia, de várzea ou terra firme, que têm no equilíbrio ambiental um dos pilares da sua sobrevivência na terra, com apoio técnico público para recuperar suas áreas e gratuidade de registros;
  • Criação de políticas públicas consistentes que garantam a recuperação produtiva das áreas protegidas pelo Código Florestal, com a garantia de assistência técnica qualificada, fomento e crédito para implantação de sistemas agroflorestais, garantia de preços para produtos florestais e pagamentos de serviços ambientais. 
   Além disso, agricultores familiares poderiam somar suas áreas de preservação permanente e de reserva legal e, no caso do passivo, ele poderia ser calculado de acordo com a versão do Código Florestal que valia na época do desmatamento.

Record Monster: Monstrinhos criados com antigos discos de Vinil:

1 de abril de 2011 | Nas Categorias: Design Sustentável | Por: Guilherme Augusti Negri



A empresa Record Monsters idealizada pelos designers Andrew Hyde e Matthew Wettergreen transforma antigos discos de vinil em monstrinhos super bacanas.
Cortando o disco em pequenas partes como se fosse um quebra cabeças, estas peças são destacadas e montadas criando modelos em 3D de insetos, dinossauros e animais. O resultado é bem interessante.

Assista o video abaixo e entenda como é o processo: (caso você esteja lendo via RSS ou E-mail clique aqui para visualizar o video)



Este video também é a apresentação do empreendimento no site Kickstarter. A Record Monsters esta com captando recursos através do crowdfunding para comprar novos equipamentos e aumentar sua produção. Se você quiser participar, é só acessar oKickstarter e apoiar o empreendimento.








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Sobre o autor:

Reciclagem

A reciclagem de materiais descartados compreende basicamente as seguintes etapas:

  • Coleta e Separação (Triagem por tipos de materiais (papel, metal, plásticos, madeiras etc.).
  • Revalorização (Etapa intermediária que prepara os materiais separados para a sua transformação em novos produtos).
  • Transformação (Processamento dos materiais para geração de novos produtos).

Símbolo da Reciclagem

Contribua para a reciclagem das suas embalagens! Adote a simbologia de Reciclagem!
A embalagem é uma importante ferramenta de comunicação, que pode ser trabalhada como instrumento de Educação Ambiental.
Por meio do Pictograma da Reciclagem, o consumidor poderá identificar de maneira rápida e fácil que a embalagem é reciclável e que deve ser descartada seletivamente visando facilitar o seu encaminhamento para a indústria recicladora.
Orientações sobre a aplicação de simbologia de reciclagem (Site ABRE – Associação Brasileira de Embalagem)
A identificação da embalagem com o respectivo símbolo do material que a compõe contribui para a sua correta separação. Adote esta simbologia e contribua para o crescimento da reciclagem no Brasil!

Tipos de reciclagem

A reciclagem de materiais tem três versões básicas:
  • Reciclagem Química
  • Reciclagem Mecânica
  • Reciclagem Energética

Reciclagem Química

A reciclagem química reprocessa plásticos, transformando-os em petroquímicos básicos: monômeros ou misturas de hidrocarbonetos que servem como matéria-prima, em refinarias ou centrais petroquímicas, para a obtenção de produtos nobres de elevada qualidade.
O objetivo da reciclagem química é a recuperação dos componentes químicos individuais para a reutilização como produtos químicos ou para a produção de novos plásticos.
Essa reciclagem permite tratar combinações de plásticos, reduzindo custos de pré-tratamento, custos de coleta e seleção. Possibilita, também, produzir plásticos novos com a mesma qualidade de um polímero original.
Os novos processos de reciclagem química desenvolvidos permitem a reciclagem de combinações de plásticos diferentes, com aceitação de determinado grau de contaminantes (ex.: tintas, papéis etc.)
Existem vários processos de reciclagem química, entre eles a hidrogenação, a gaseificação, a quimólise e a pirólise:

Reciclagem Mecânica

A reciclagem mecânica consiste na conversão dos descartes plásticos pós-industriais ou pós-consumo em grânulos usados na produção de outros produtos, como sacos de lixo, solados, pisos, conduítes, mangueiras, componentes de automóveis, fibras, embalagens não-alimentícias e muitos outros.
Estima-se que no Brasil sejam reciclados mecanicamente 15% dos resíduos plásticos pós-consumo.
As etapas básicas desta forma de reciclagem são as seguintes:
  • Sistema de coleta dos descartes (coleta seletiva, coleta municipal, catadores);
  • Separação e triagem dos diferentes tipos de plásticos;
  • Limpeza para retirada de sujeiras e restos de conteúdos;
  • Revalorização (produção do plástico granulado).

Reciclagem Energética

A Reciclagem Energética é hoje uma realidade e uma importante alternativa no gerenciamento do lixo urbano.
É a tecnologia que transforma o lixo urbano em energia elétrica e térmica, um processo que aproveita o poder calorífico contido nos plásticos para uso como combustível.
Além de criar novas matrizes energéticas, países que adotam esse processo reduzem substancialmente o volume de seus resíduos — um benefício incalculável para cidades com limitações de espaço para a destinação do lixo urbano.
País sustentável é aquele que, entre outras atitudes, cria meios possíveis para o tratamento correto do lixo urbano. A Reciclagem Energética é um processo praticado em todo o mundo há mais de 20 anos. Atualmente, mais de 150 milhões de toneladas de lixo urbano são tratados por ano em cerca de 750 usinas de Reciclagem Energética implantadas em 35 países, gerando mais de 10.000MW de energia elétrica e térmica.
As usinas de Reciclagem Energética utilizam todo tipo de plástico como combustível e são adotadas largamente em países como EUA, Japão, China, Coreia do Sul, Malásia, Itália, França, Suíça, entre outros. Só no Japão existem 249 usinas. Na Suíça, 27. No Brasil, infelizmente, nenhuma.



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Curiosidades: Chaveiro de Tartaruga viva é moda na China!


   O Global Times fez uma reportagem chocante sobre como chaveiros com animais vivos estão fazendo sucesso na China. Os modelos são vendidos na porta dos metrôs e estações de trem – e o cliente pode escolher se quer uma tartaruga ou um par de peixinhos vivos.

   Os saquinhos do chaveiro só tem 7 cm de comprimento e os vendedores alegam que os animais pode sobreviver meses na água “rica em nutrientes” na qual são colocados.

  Além do absurdo que é manter animais presos em um espaço minúsculo, aparentemente a atividade não é ilegal no país. A reportagem do Global Times contou que 10 chaveiros, 9 de tartarugas e um de peixes, foram vendidos em cinco minutos. A parte boa (ou menos triste) é que muitas dessas pessoas disseram ter comprado para soltar os animais.


Notícias: Piauí apresenta um dos piores desempenhos do País nas obras de esgoto do PAC:


  O Piauí é um dos Estados que apresenta a maior lentidão nas obras do Programada de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo relatório "De Olho no PAC", feito pelo Trata Brasil, instituto que investiga as obras de saneamento do país. O estudo aponta que após 4 anos da implementação do programa, apenas 20% dos recursos foram liberados e somente 4% das obras em andamento no estado piauiense.

   O Trata Brasil revela que o Piauí, além de possuir os menores níveis de avanço físico e atraso na liberação dos recursos, concentra poucas obras, e estas de valores baixos, quando comparado aos demais Estados brasileiros. O Ceará, por exemplo, recebeu cerca R$ 203,04 milhões; Pernambuco, 124,3 milhões; Rio Grande do Norte, 194,3 milhões, enquanto o estado piauiense recebeu R$ 102,04 milhões.



  No Brasil, apesar dos recursos liberados terem atingido 40,9% dos investimentos previstos nas obras voltadas a esgotos do PAC nos maiores municípios, os entraves continuam impedindo um avanço mais rápido e apenas 4% dessas obras foram concluídas até final de 2010. A se manter este ritmo, muitas obras só terminarão próximo a 2015.

  O acompanhamento é feito sobre uma amostra de 101 obras voltadas a Esgotos - redes de coleta e sistemas de tratamento - nos municípios maiores que 500 mil habitantes e que totalizam R$ 2,8 bilhões em investimentos. As informações são obtidas através de consultas e solicitações formais à Caixa Econômica Federal, BNDES, SIAFI, relatórios oficiais do PAC e Ministério das Cidades.

   O resultado compreende os avanços no período de Dezembro de 2009 a Dezembro de 2010 e revela, principalmente, que das 101 obras monitoradas, 4 delas foram concluídas, 22 estão atrasadas e 11 sequer foram iniciadas. Ao contrário do que previam os balanços oficiais do PAC, de que 60% das obras estariam concluídas até 2010, mais da metade das obras monitoradas não avançaram além dos 40% do cronograma físico até o final de 2010.

   O estudo mostra também que aumentou o número de obras em estágio mais avançado (entre 60% e 99% de execução), mas, em contra partida, duplicou o número de obras paralisadas (de 15 obras neste estágio em 2009 passou a 30 em 2010), como pode ser visto no gráfico abaixo. O maior aumento ocorreu na região Nordeste - das 39 obras na região, 6 estavam paralisadas ao final de 2009 e em dez/2010 foram constatadas 16 obras nesta situação.

   Mesmo possuindo a maior quantidade de obras (41), a região Sudeste foi a que apresentou o maior avanço na execução - de 31,9% (até 2009) para 57,3% (final de 2010). A região Centro-Oeste, por sua vez, apresentou a menor evolução nas obras (7,9% para 12,9%). Nas 101 obras, o andamento médio saltou de 19,7% ao final de 2009 para 35,3% em 2010.

  O gráfico abaixo mostra que o avanço das obras na região Sudeste (57,3% na média de execução) distorce os resultados gerais. Sem ela, o avanço médio de 35,3%, para o conjunto das obras, cai para 25,1% ao longo de 2010.


   No que se refere aos recursos liberados, o monitoramento mostra que houve liberação de 40,9%, no conjunto das 101 obras. O maior progresso também ocorreu na região Sudeste onde 57% dos recursos foram liberados. Já a região Sul teve a menor liberação (24,1%). 

 Também neste caso, o avanço do Sudeste distorce a média geral, pois ao se retirar esta região, a média de recursos liberados cai de 40,9% para 33,3%.

  Édison Carlos, Presidente Executivo do Instituto Trata Brasil, comenta: "Não estamos generalizando os resultados para todo o conjunto do PAC, que é muito mais amplo. No que se refere a esta amostra de obras que monitoramos, voltadas a Esgotos e nos maiores municípios, os resultados mostram que a coleta e tratamento dos esgotos tende a ficar melhor nas regiões já melhor atendidas e continuar precária por mais tempo nas regiões mais carentes destes serviços."


Lave a mão - mas salve um peixe:


 Fechar a torneira enquanto escova os dentes, não deixar o chuveiro ligado antes de entrar no banho, tomar cuidado com vazamentos na pia… Todo mundos abe que a gente tem que evitar desperdício de água, certo?

  Mas isso não significa que a gente não escorregue as vezes e deixe a água correr pelo cano à toa…

 Daí vem a ideia do “Poor Little Fish”, ou Pobre Peixinho: apelar para o lado emocional e tentar fazer as pessoas prestarem atenção no que gastam.

  O aparelho nada mais é do que uma espécie de aquário, projetado pelo designer Yan Lu. Enquanto você usa a água, vê o nível dela diminuindo e pensa: “não posso matar esse pobre peixinho!!” (ok..você pode pensar o que quiser. Mas acho que eu pensaria isso – daí o nome do produto, não?).

  É claro que a ideia não é torturar o animal: o nível da água volta ao topo quando você desliga a torneira.  E também não há motivo para ter nojinho: há dois encanamentos separados, assim a água que sai para você lavar as mãos/escovar os dentes é limpa, enquanto a água no aquário não está de fato sendo jogada fora (ela fica rodando, só para dar o efeito visual do desperdício que você está gerando com a verdadeira torneira aberta).

Comigo funcionaria.. :)

A bicicleta reciclada dobrável:



Observem designe dessa bicecleta o que quanto é chamativa e uma bela ilustração. Foi criada pelo o designer Omer Sagiv criou a “ReCycle Me”, uma bicicleta dobrável de plástico reciclado. Calma, fãs de trilha, lama e aventura: a bike é para uso não-radical nas cidades. Ela tem suspensão embutida e pode ser dobrada para caber dentro do armário. Facilidade, praticidade e um bom exercício físico.




O Conceito de Educação Ambiental:


 
“Educação Ambiental é a dimensão dada ao
conteúdo e à prática de educação, orientada para a
resolução de problemas concretos do meio ambiente,
através de enfoques interdisciplinares e de uma
participação ativa e responsável de cada indivíduo e da
coletividade.”

Conferência de Tbilisi, 1977 (apud Almeida, 2000)

  A experiência em Educação Ambiental vivida pela autora do presente trabalho ao longo do ano letivo de 2002 com a disciplina da parte diversificada do currículo, Oficinas Ecológicas, é relatada e discutida. Os resultados demonstraram uma melhoria gradativa na participação da maioria dos alunos nas aulas, especialmente, após o terceiro bimestre letivo. A sensibilização e um início de conscientização crescentes sobre a relação da conservação do ambiente com a qualidade de vida das pessoas também foram observados em diversos alunos, com maior ênfase após a exposição dos trabalhos preparados em grupo: cartazes, painéis, e maquete. O despreparo para a questão ambiental observado em diversos professores e a falta de condições materiais e financeiras para um bom planejamento pedagógico em Educação Ambiental tornam evidente a necessidade de um mais efetivo compromisso da parte do Poder Público na formação continuada dos professores sobre o tema da Educação Ambiental e a necessária contratação de profissionais da educação para que dêem o devido apoio psicopedagógico aos alunos. Prazo de pelo menos dois anos de atuação pedagógica em turmas com disciplinas relacionadas à Educação Ambiental, investimento das direções dos colégios no tratamento transversal do tema do Meio Ambiente, a busca da sistematização e do registro das experiências em sala de aula por parte dos professores são propostas conclusivas.

INTRODUÇÃO:

  A partir de meados do século passado, graves problemas de ordem social, econômica e ecológica vieram se avolumando face à exacerbada exploração dos recursos naturais, resultante do imenso avanço científico e tecnológico. Tal situação propiciou o surgimento de ações individuais e coletivas que desencadearam uma série de reuniões e conferências internacionais que buscavam solucionar a crise ambiental instalada no mundo. Dentre as quais, destacam-se a Conferência de Estocolmo, 1972, a Conferência de Tbilisi, 1977 e a Rio-92, em 1992, como três momentos relevantes para a evolução da Educação Ambiental (PEDRINI, 2000). A Conferência de Estocolmo, Primeira Conferência da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em 1972, levantava a necessidade de uma educação voltada para o meio ambiente – Educação Ambiental – reconhecida como essencial para solucionar a grave situação do meio ambiente. A partir de então, conferências sob o tema são realizadas, como a Conferência de Tbilisi, na Geórgia, cidade da ex-URSS, em 1977, que, por ter sido a primeira direcionada, exclusivamente, para a Educação Ambiental provocou “significativa mudança de mentalidade, principalmente em termos de Educação Ambiental, inclusive no Brasil.” (ALMEIDA, 2000, p.71).

  Em nosso país, a Educação Ambiental ainda vem passando por muitos percalços para que possa ser realmente implantada e se desenvolva tanto no ensino formal quanto no não-formal. Não sendo uma atividade recente no Brasil, é mencionada no Decreto Legislativo Federal nº 3, de 13/2/1948, que aprova uma convenção para proteção de recursos naturais dos países da América, cujos governos contratantes manteriam parques nacionais para a educação pública (PEDRINI, 2000). Mas, somente no ano de 1981 é que ela veio a ser formalmente instituída pela Política Nacional do Meio Ambiente, Lei 6938/81 (PNMA, 1981), na qual o Art. 2º diz ser um dos princípios da Educação Ambiental, sua prática tanto na instância formal, em todos os níveis de ensino, como na instância informal, educação comunitária. Mais adiante, com o Parecer 226/87, de março de 1987, o governo federal indicaria o caráter interdisciplinar da Educação Ambiental e recomendaria sua realização em todos os níveis de ensino. Na primeira Constituição brasileira a citar a Educação Ambiental, a Constituição de 1988 (CFB, 1988), é claro o enfoque dado reduzido a uma visão ecológica dissociado da sua dimensão pedagógica.

  Esse arcabouço jurídico-legislativo resultou de grandes lutas e ações em favor da Educação Ambiental dispersas por todo o território nacional e veio a ser representado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96, em que a Educação Ambiental encontra-se prevista no conteúdo curricular na Educação Básica, a partir das questões ligadas ao meio ambiente, corpo e saúde (DCNEM, 1998). A mesma lei, também, forneceu subsídios para que a questão ambiental passasse a se inserir nos Parâmetros Curriculares Nacionais como o tema transversal Meio Ambiente (PCN,1997).

PROPOSTA:

  O presente trabalho trata da experiência em Educação Ambiental vivida pela autora, ao longo do ano letivo de 2002, com a disciplina da parte diversificada do currículo, Oficinas Ecológicas, por ela mesma elaborada a pedido da Direção do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, situado no Largo do Machado, Catete, Rio/RJ, aplicada a duas turmas suas de 1a série, cada uma com quarenta alunos.
Oficinas Ecológicas fundamentou-se na visão proposta pelo tema transversal Meio Ambiente (PCN,1997) e na ação prática, no estímulo à descoberta, ao pensar, ao criar, à experimentação e ao debate em sala de aula propostos por ANDRADE, SOARES e PINTO (1995). Apresentou os seguintes objetivos: a) desenvolver a capacidade de observação e pesquisa do aluno; b) estimular seu senso crítico em relação às questões ambientais; c) despertar a consciência da importância da preservação do meio ambiente e do respeito à natureza; d) incentivar no aluno a participação e o trabalho na busca de soluções para a melhoria da qualidade de vida de todos.

METODOLOGIA:

  A metodologia foi dividida em quatro partes. Na primeira, foi fornecida ao aluno uma visão geral do Universo com breves informações sobre sua origem e evolução, sobre o sistema solar e o planeta Terra. Este sofreu uma abordagem ecológica em que foram discutidos seus principais ecossistemas. Depois, na segunda parte, o trabalho foi direcionado às várias regiões naturais brasileiras com enforque especial no estudo e reflexão do bioma Mata Atlântica, por ele abrigar o conjunto de ecossistemas: manguezal, restinga e floresta – ou pelo menos, o que restou deles – que ocorre na Cidade do Rio de Janeiro. Na parte seguinte, foram feitas a leitura e discussão de questões sobre degradação ambiental e seus reflexos no ar, água e solo, especialmente relacionadas aos grandes centros urbanos. E na quarta e última parte, foram apresentados e discutidos exemplos de ações populares em favor do desenvolvimento sustentável.

  Os procedimentos didáticos compreenderam: leitura e discussão de textos; utilização de livro de Biologia (FAVARETO e MERCADANTE, 1999); vídeos; visita à Área de Proteção Ambiental (APA) São José, com entrada próxima ao Colégio (Parque Guinle); convite a cidadãos comprometidos com ações de defesa socioambiental para exposição e debate de suas experiências; elaboração, montagem e exposição de trabalhos.

  A avaliação teve como princípio aqueles que norteiam a Lei de Diretrizes e Bases, Art. 24: observação do interesse e a participação do aluno na execução de trabalhos, dentro e fora da sala de aula, somados às aplicações de teste e de prova (LDB, 1996).

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

  No contexto de uma escola pública, o desenvolvimento de uma nova praxis educacional, como a Educação Ambiental, visa fomentar a compreensão clara de “a existência e da importância da interdependência econômica, social, política e ecológica nas zonas urbanas e rurais e proporcionar a todas as pessoas, a possibilidade de adquirir os conhecimentos, os sentido dos valores, as atitudes, o interesse ativo e as atitudes necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente; induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto, a respeito do meio ambiente” (DIAS,1991, p. 6). Entretanto, no decorrer das aulas no primeiro bimestre, observou-se um excesso de faltas e de impontualidade entre vários alunos, de 30 a 40% do seu total, o que dificultou sobremaneira a utilização da dinâmica participativa, imprescindível na Educação Ambiental. Tal comportamento de parte do corpo discente configurou-se como padrão para as turmas de 1ª série, no corrente ano, segundo avaliação dos Conselhos de Classe.

  Tentativas foram feitas no sentido de incentivar uma maior participação deles nos trabalhos desde a ida à Área de Proteção Ambiental (APA) São José, com entrada pelo Parque Guinle, Laranjeiras, próximo ao Colégio, como também nas atividades de leitura, pesquisa e elaboração de textos, cartazes, painéis e maquete em sala de aula, o que, a partir do final do segundo bimestre, começou a apresentar resultados positivos; ou seja, uma maior adesão de alunos com interesse nas aulas. Sua participação nos trabalhos em sala foi aumentando pouco a pouco, chegando a representar no bimestre seguinte um aumento médio de 40% de presença sobre o quantitativo que vinha faltando. No terceiro bimestre, surgiu a oportunidade da autora trabalhar junto a ambas as turmas a elaboração de um roteiro de vídeo. Tal idéia baseou-se em seu trabalho final (PASTANA, 2002), apresentado no curso de extensão à distância da Seed/MEC: “TV na Escola e os Desafios de Hoje, sob o tema do meio ambiente do Largo do Machado e seu entorno: Largo do Machado e adjacências: um enfoque ecológico. Para tanto, preliminarmente os alunos receberam por meio da exibição de transparências as noções de produção de roteiro extraídas do volume três do curso supra citado (FIORENTINI E CARNEIRO, 2002). A participação foi boa e, dos trabalhos entregues, o escolhido destacou-se pela criatividade do texto que o grupo de alunas, turma 107, apresentou. Este será o fundamento do roteiro para o vídeo que futuramente será produzido no Colégio. Mais adiante, no final de outubro, a partir de inesperado contato feito com o militante ambiental André Abreu, fundador da Organização Não Governamental Rio Carioca, surgiu a possibilidade de, no último bimestre, se enriquecer o tema do roteiro com a exposição e debate, feitos por ele, sobre a história do referido rio e sua importância para a cidade do Rio de Janeiro. A exibição de um vídeo apresentando depoimentos sobre o rio complementou a aula. Produzido por uma comunidade de Laranjeiras, parceira da ONG, enfoca os problemas referentes ao lixo, a falta de saneamento e de participação da sociedade em favor de um bem comum histórico e inestimável para toda a região, como o rio Carioca: desde sua nascente na Serra do Corcovado até seu deságüe na Praia do Flamengo.

De uma maneira geral, pôde ser constatado que os alunos tiveram a melhor participação até então, a ponto de vários deles, motivados, haverem se comprometido com o expositor a participarem de um mutirão de limpeza do rio que iria se realizar no sábado seguinte àquelas aulas, o que confirmei posteriormente ao conversar com duas alunas que expressaram sua animação na referida ação ambiental. Isso, no entanto, contrapôs-se ao acentuado descompromisso de alguns deles, reflexo possivelmente da sua origem sócio-econômica nas classes populares que, atualmente, encontram-se com um número crescente de membros à beira da total exclusão da sociedade. Fato confirmado pelo quadro de dificuldades que a autora observou, como por exemplo: o desemprego dos pais, falta de um deles ou até o aluno ser encaminhado ao Colégio pelo Conselho Tutelar. Ainda assim, dentre eles houve aqueles que conseguiram se recuperar por empenharam-se verdadeiramente nesse sentido ao procurarem participar mais das aulas e ao tentarem realizar os trabalhos pedidos, mesmo que nos últimos momentos. Isso ocorreu, provavelmente, em parte, pela consciência deles da perspectiva de reprovação e, em parte, devido a um início de compreensão sobre a importância de participarem mais das aulas, especialmente de uma baseada em atividades práticas, como a de Oficinas Ecológicas. Nesse sentido, de uma maneira geral, pode ser constatado que houve uma melhoria qualitativa e quantitativa no interesse e sensibilidade dos alunos em geral com relação ao ambiente e, em conseqüência, o surgimento do início da conscientização do aluno em relação à importância do equilíbrio e da preservação ambiental para a saúde humana.

  Abrindo parênteses aqui, as noções relativas ao meio ambiente são complexas e exigem que o aluno tenha uma base mínima proveniente das disciplinas da área de ciências naturais (Biologia, Física, Química) e da área de ciências humanas (Geografia e História), além do conhecimento da Língua Portuguesa e da Matemática, todas de forma integrada e relacional para que ele possa acompanhar o tema satisfatoriamente. No entanto, é lamentável como eles em geral chegam ao Ensino Médio: com graves deficiências tanto de leitura quanto de redação, conseqüências da falta de exercício de abstração, de escrita e de saber fazer a relação dos conteúdos atuais aos aprendidos nas séries anteriormente cursadas do Ensino Fundamental.

  As questões da Educação Ambiental, cujos pressupostos oriundos das reuniões internacionais e reconhecidos por diversas leis brasileiras, ainda não se encontravam – nem se encontram – definidos enquanto tal entre os objetivos a serem alcançados pelo Projeto Político Pedagógico (PPP) do Colégio. Isso, certamente, configurou-se como empecilho ao bom encaminhamento do trabalho ora apresentado, inclusive por não ter havido ainda uma discussão mais aprofundada entre o respectivo Corpo Docente sobre o que são Parâmetros Curriculares Nacionais, Temas Transversais e como ocorre a relação entre eles e as disciplinas. Isso somado ao fato agravante do Colégio estar saindo de grave problema de gestão, ao ter de passar por uma direção interventora para somente a partir do último quadrimestre de 2001, tornar a poder eleger uma direção que precisa conciliar a urgência de ajustes à de avanços pedagógicos para superar o caos administrativo herdado. Tal quadro configurou-se assim como grande desafio também para a autora que a priori considera vital que haja ações com consistência e que possam fundamentar adequadamente uma saída pedagógica diante do desencanto e da inércia em que ainda se encontra a Educação, de uma maneira geral, apesar dos honrosos esforços pontuais que ocorrem nas redes públicas de ensino.

  Deve-se ressaltar que os Parâmetros Curriculares Nacionais e os Temas Transversais têm sido objetos de várias críticas. Por exemplo, o MEC propõe, de forma geral, a articulação entre as diversas atividades escolares e entre elas e a sociedade por meio da inserção dos temas transversais às disciplinas curriculares. Mas, ao contrário do que se pretende, tal não ocorre, possivelmente até, por não ser a realidade social o eixo orientador da estruturação das disciplinas e sim uma suposta lógica interna que existe em cada campo de saber como exposta nos PCN (MACEDO, 1998; MACEDO e LIMA, 2001). Resulta, daí, um hiato previsível entre eles e tais temas. Esse fato, obviamente, torna mais difícil sua aplicação prática nas escolas e confirma o desinteresse oficial pela Educação Ambiental que vem unir-se ao mesmo desinteresse que historicamente é dedicado à Educação (DIAS, 1991).

  Nesse sentido, não fica difícil compreender porque também há um grande distanciamento entre o que é proposto no Art. 64 da Lei de Diretrizes da Educação, sobre a formação para inspetores, orientadores educacionais e coordenadores pedagógicos, que diz: ” será feita em cursos de graduação em Pedagogia ou em nível de pósgraduação…” (LDB, 1996), e a realidade enfrentada nas escolas da rede do Estado em que tais profissionais tiveram seus cargos extintos e nada foi apresentado até hoje, como alternativa. Isso é significativo e causa apreensão, porque como pode-se pensar, no caso da Educação Ambiental, em articular atividades sob o tema do Meio Ambiente, na forma ou não de uma disciplina da parte diversificada, sem contar com o apoio de tais profissionais diante da clientela que chega atualmente à nossa rede estadual de Ensino Médio?

CONCLUSÃO:

  A despeito dos obstáculos, a autora considera importante que principalmente o Poder Público Estadual, representado pela Secretaria de Estado de Educação, invista com mais acento na formação continuada dos professores, em especial, direcionada para a Educação Ambiental. E, paralelamente a isso, possibilite a contratação de profissionais da Educação que venham a dar o necessário apoio psicopedagógico aos alunos com problemas afins. Que possa haver a necessária ampliação do prazo mínimo de trabalho com disciplinas de Educação Ambiental nas redes públicas para dois anos letivos, de forma que assim possam ser obtidos resultados mais condizentes com os pressupostos da Educação Ambiental. Um real investimento das direções escolares para que se trate o tema ambiental da forma transversal, como proposto pelos Parâmetros Curriculares Nacionais seja realizado. Destaca a importância de uma eficiente busca de sistematização e registro das experiências pedagógicas efetivadas em sala de aula, pelos professores que atuam em Educação Ambiental, para que elas não se percam e para que se possa construir uma documentação do quê e como se está praticando este tema na Escola Básica e, em particular, no Ensino Médio.

  Na verdade, há uma forte tensão entre o modelo cartesiano de conhecimento ainda vigente, fragmentado e voltado estritamente à especialização, e aquele outro que busca a relação entre os saberes e sua integração fundamentado na afirmação contemporânea do pensamento complexo, apontando para um novo paradigma.(MORIN, 2000; PETRAGLIA, 2002). Nesse sentido, a descontinuidade das ações que são presenciadas na Escola Pública, de uma maneira geral, dificultam muito a clareza e o entendimento da emergência desse processo o que torna o presente trabalho mais uma contribuição para que a mudança efetive-se no tempo mais breve.

BIBLIOGRAFIA CITADA:

ALMEIDA, V. M. M. Educação Ambiental. In: Curso de Direito Ambiental – Temas Atuais (apostila). Rio de Janeiro: CDA/OAB-RJ, 2000, p. 67-80
ANDRADE, L.; SOARES., G. e PINTO, V. Oficinas Ecológicas. 2ª ed., Petrópolis: Vozes 1996.
BRASIL. Política Nacional do Meio Ambiente. Brasília, 1981.
______. Constituição Federativa do Brasil. Cap. 6: Meio Ambiente, Art. 225. Brasília, 1988.
______ . Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996.
______. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente, Saúde. Brasília: MEC/SEMTEC, 1997.
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AGRADECIMENTOS
À Professora Doutora Hedy S. Ramos de Vasconcellos por suas valiosas críticas e sugestões aos meus primeiros originais.
Ao Professor Doutor Jorge Pedro P. Carauta pela generosidade e profundo conhecimento humano.
À Professora Mestre Maria da Penha de Jesus por sua gentileza em revisar o conteúdo da Língua Portuguesa.
À Professora Rosane Malvar Sant’Anna por seu apoio, questionamentos e solidariedade.
À Professora Elizabeth C. Cavalcanti por sua atenção e importantes observações.
AUTORES
§  Grace Irene Imbiriba Pastana